DÉCIMO
SEGUNDO CANTO
ESTÁ ESCRITO
MEU FADO, MAU E BOM
Escolha
aleatoriamente um número entre 1324 e 1389 inclusive.
Descubra
o poema correspondente como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.
1324 - Está escrito meu fado, mau e bom
Está escrito meu fado,
mau e bom,
Nas malhas dum destino que não sei.
Peixe esquivo dentre elas me esquivei
Em busca do que deve ser meu tom.
Sei lá bem o que tramei
Nas redes tecidas com
O rio que é o de meu som
Mais as margens, minha lei!
Apenas me vejo escrito
Pela mão que em minha mão
Escreve o que não medito
Sem ligar ao que lhe dito.
Só que então
Reparo que me escreve no infinito.
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1325 - Escrito |
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Estava escrito, |
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Estava escrito nas raízes. |
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Sentirás o que
nunca houveras sentido antes. |
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E perceberás. |
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Aquela vontade
inefável de ficar, |
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De morar numa
única aldeia para sempre… |
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Para sempre com
a menina dos cabelos negros, |
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Com os dias que
jamais serão iguais… |
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Para sempre! |
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Estava escrito. |
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Estava escrito
na raiz das raízes da raiz… |
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1326 – Importância |
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“Não tem
importância” - dir-te-ás |
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E pressentirás,
no fundo das profundezas, |
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Que afinal tem importância. |
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É que todos os
pastores sempre encontrarão um pasto, |
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É que todos os
marinheiros sempre encontrarão um porto, |
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É que todos os
viajantes sempre encontrarão um lugarejo, |
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É que todos os
caminheiros sempre encontrarão um poiso, |
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- É que sempre
encontrarás o lugar de alguém! |
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Haverá sempre
alguém, ali, capaz de te apagar |
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A alegria de
viajar livre pelo mundo. |
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E trocarás
alegre toda a viagem por fora pela viagem por dentro: |
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Por dentro de
ti, por dentro de Vós: |
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- Por dentro do
mundo feito casa e lar e família. |
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Quantos lugares
no mesmo lugar, quantos mundos nos mundos do mundo! |
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Está escrito
que a aventura é sempre outra, porque é sempre outrem: |
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Mesmo quando és
tu que noutrem te estranhas, te perdes, te encontras… |
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Está escrito. E
quão tarde, quão tarde sempre o irás decifrando! |
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1327 - Corre |
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Compre teu
rabanho e corre os vales, |
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Compra teu
automóvel e corre as terras, |
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Compra teu
bilhete e voa continentes, voa mundos… |
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Corre, corre
até aprenderes que nosso castelo é o mais importante, |
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Que nossa fruta
é a mais saborosa e sumarenta, |
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Que nossos
serões são os mais lendários, |
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Que nossas
mulheres são as mais belas e amoráveis. |
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Corre, que te
abençoo pelos séculos dos séculos.. |
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Está escrito
que só aprenderás a abraçar-te quando abraçares o mundo, |
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Que só voltarás
à tua terra depois de dares a volta ao Universo. |
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Está escrito
que teu espelho será sempre o outro, |
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Tanto mais
total quanto mais totalmente Outro. |
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Por isso é que
só te verás inteiro se algum dia puderes ver-te em Deus: |
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Aí serás tu, aí
serás Deus! |
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Está escrito.
Na indecifrável escrita da eternidade. |
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1328 – Aberta |
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Dirás: “nada interessa.” |
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Olhar-te-ás e
dirás: “nada interessa.” |
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Olharás o
mundo, olharás a vida e dirás: “nada interessa.” |
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Olharás teu
dia-a-dia, esmiuçarás cada episódio: “nada interessa.” |
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De repente, um
sonho. Um sonho e a possibilidade de lhe dar corpo. |
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Como
inesperadamente a vida se tornou interessante! |
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Apenas uma
porta aberta e um caminho a caminhares te dão sentido. |
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Está escrito
neste olhar a olhar o céu, neste teu passo apressado. |
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Indelevelmente
escrito no tutano de teus ossos invisíveis. |
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1329 – Risco |
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Resolveste arriscar, arriscarás. |
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Um pastor corre
sempre o risco dos lobos, |
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Um camponês
corre sempre o risco da seca, |
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Um homem corre
sempre um risco de morte. |
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O risco é que
torna a profissão de humano deveras excitante, |
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O risco é que
lhe vai dar o peso de homem e a gratificação. |
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Doutro modo nem
saberias que estavas vivo. |
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Está escrito,
Tu, porém, jamais te lerias. |
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1330 - Primordial |
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Teu sonho é
difícil porque é fácil. |
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As coisas
simples são as mais extraordinárias: inefáveis, inatingíveis… |
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Apenas os
sábios lograrão por vezes vislumbrá-las. |
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Sábio |
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Está escrito
que o não és nem o serás. |
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Apenas o
poderás ir sendo, ir sendo, ir sendo… |
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Por caminhos de
pedras e de artes, de paciências e tropeços… |
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A simplicidade
primordial: quão difícil o que é simples! |
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1331 - Parte |
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Gostarás de
viajar, conhecerás tanta gente por toda a parte! |
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Acabarás sempre
por fazer novos amigos, sem precisares de permanecer dia após dia na
constância dum lugar. |
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Quando vires
sempre as mesmas caras, acabarás convencendo-te de que são parte de ti. |
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Sendo parte de
ti, quererão modificar-te. Se não lhes corresponderes, renegar- -te-ão figadalmente. |
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Porque todas as
caras saberão rigorosamente como deves viver tua vida |
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E nunca terão
noção de como viver as delas próprias. |
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Está escrito
que terás amigos, muitos amigos, e quantos mais forem menos o serão. |
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1332 - Mentira |
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A maior mentira
do mundo está escrito que é esta: |
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Num momento
determinado perderás o controlo da vida |
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E o destino te
governará. |
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É que todo o
rio, da nascente até à foz, é governado pelas margens em cujo berço se
embala, |
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Em cujos
acidentes se apoia, cujas pedras burila, cujo aluvião remove. |
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Mas jamais o
rio são as margens nem os alcantis, nem a pedra onde borbulha, nem o areal
onde se espraia. |
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Está escrito
que o condicionamento é a tua condição: |
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Quer porque do
nascimento à morte te condiciona, |
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Quer porque do
nascimento à morte te dá todas as condições. |
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Não é num
momento determinado, é o teu momento de sempre. |
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Por isso te
cria rio com teu leito de manobra: o leito é-te dado, a manobra tu a darás,
mas sempre dentro dele. |
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Está escrito
que o destino é tua sombra e tua derradeira palavra: |
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Queira ou não
queira, sempre o rio correu para a foz. |
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1333 - Demiurgo |
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Seja lá quem
for, faça o que fizer, |
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Se com vontade
alguma coisa quer, |
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Nele quer o
Universo inteiro. |
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É a tua missão
na Terra: |
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Viaja, casa,
busca o teu tesoiro, |
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Que em tuas
veias corre a seiva abscôndita do Cosmos, |
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Que em teu
coração pulsam as estrelas, até à derradeira galáxia. |
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Cumprir teu
itinerário é teu único dever, que nele se cumpre o destino do Infinito, |
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Já que tudo,
todos, as inúmeras coisas, são uma realidade só na raiz donde tudo borbota
permanentemente no ser. |
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Se tu queres,
então a criação inteira quer através de ti |
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E toda conspira
secretamente, ansiosamente, desesperadamente, |
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Até que se
realize teu desejo. |
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Está escrito
que tu és o demiurgo de teu sonho e que tu és o sonho inominável do Universo. |
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1334 - Cedo |
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Cedo demais
aprenderás tua razão de viver, |
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Talvez por isso
desistas tão cedo também. |
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É pena, mas
assim é o mundo… |
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Paga com o que
tens, não prometas o que ainda não tens: |
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Está escrito
que senão perderás a vontade de consegui-lo. |
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E tornar-te-ás
refém: doutrem, da vida, de ti. |
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E então já não
haverá mais forma de te libertar. |
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Jamais! |
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1335 – Pegureiro |
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Terás de
decidir-te entre aquilo a que te tinhas habituado e aquilo que gostarias de
ter. |
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Serás o eterno
pegureiro dividido |
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entre a
segurança do rebanho e a incerteza da ovelha desgarrada, |
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Serás o eterno
aventureiro dividido entre o porto seguro e a hipotética ilha dum tesoiro
eventual. |
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Para quem fica
todos os dias serão iguais. |
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Quando todos os
dias ficam iguais é que deixaste de perceber quanto de bom perpassa na teia
das horas de cada dia que te escorre entre os dedos. |
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Está escrito
que o Sol cruzará teu céu e o não verás. |
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Céu nenhum será
teu céu: |
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Só terás olhos
para a terra moribunda. |
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Está escrito
que terás de decidir-te. |
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1336 - Segredo |
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gostarás,
pastor, de viajar, mas jamais esquecerás tuas ovelhas. |
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Gostarás,
cigano, de medir trilhos, mas jamais abandonarás tua carroça e tua gente. |
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Gostarás,
peregrino, de correr santuários, mas não esquecerás tua vieira testemunha
para a terra-mãe. |
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Gostarás, pé
viageiro, de calcorrear mundos e tempos, mas jamais perderás de vista a
pegada de partida, tua estrela polar. |
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Está escrito aí
o segredo da felicidade: |
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Admirarás as
maravilhas do mundo sem perder pelo caminho tua almotolia de azeite. |
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Se, para as
veres, a perderes, serás infeliz. |
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Se, para a
conservares, as não vires, serás infeliz. |
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Só na tensão do que é já e do que ainda não, a paz se refaz e te constrói e reconstrói. E destrói, que é o preço de te construir. |
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Está inscrito
em teu coração. Um pouco além de onde a razão te chega, sempre
inelutavelmente um passo além. |
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1337 – Dinheiro |
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Vendes o teu
leite, ficas com dinheiro. |
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Vendes tua lã,
ficas com dinheiro. |
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Vendes tua
ovelha, ficas com dinheiro… |
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Descobrirás que
o dinheiro é mágico: |
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Quem o tem
jamais ficará sozinho. |
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Está escrito,
porém, que ninguém viverá tão só no meio de tanta multidão. |
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O dinheiro tem
magia negra, de tudo o que toca faz noite. |
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1338 - Pequeno |
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Agora estarás
infeliz e triste. |
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Então serás
mais amargo e não irás confiar já nas pessoas, apenas porque uma te haverá
traído. |
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Odiarás quem
encontrou um tesoiro escondido só porque tu não encontraste o teu. |
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E agora estarás
ainda mais infeliz e triste, ainda mais… |
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Está escrito
que, portanto, irás procurar para sempre manter o nada que tens, sempre cada
vez mais nada. |
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Só porque és
pequeno demais para abraçar o mundo. |
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E cada vez mais
pequeno e cada vez mais pequeno… |
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Até que dês o
teu nada, até que te dês. |
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Até que te
libertes de vez de ti, para poderes ser dono do mundo. |
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1339 - Ilusão |
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Serás como
todos os mais, |
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Verás o mundo
do modo como desejarias que ele fora, |
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Não do modo que
ele é. |
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Está escrito
que serás fatalmente uma ilusão. |
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Crescerás à
medida, todavia, da medida que ela tiver. |
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Está escrito
que não serás, finalmente, uma ilusão. |
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1340 - Linguagem |
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Descobrirás a
linguagem que mora por trás das palavras, para além das palavras, |
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A linguagem universal. |
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Experimentaste-a
já com teu cão, com teu gato, com tuas ovelhas, com tuas vacas. |
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Doravante
experimentá-la-ás com os homens: falarás português, ouvirás chinês e ambos
entendereis com o coração. |
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Está escrito
que aprenderás coisas novas que sempre, entretanto, experimentaste. |
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Novas as verás
porque por ti passaram sem que delas te aperceberas |
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E não te
aperceberas porque a elas te houveras acostumado. |
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De súbito
ver-te-ás em terra estranha a decifrar a linguagem que não tem palavras. |
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Está escrito
que, quando a decifrares, decifrarás o mundo. |
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1341 - Não-ser |
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Temerás
realizar teu sonho, por depois não teres mais motivos para continuar vivo. |
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Sonharás com a
volta ao mundo, imaginarás o Himalaia, as Pirâmides, o Taj Mahal, a
Antárctida… |
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Darás sete
voltas ao sonho, darás sete voltas à vida e tudo ficará quotidianamente
igual. |
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Serás diferente
dos mais, porque eles pretendem realizar os sonhos e tu, apenas sonhá-los. |
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Ao temeres
tanto a decepção, fica escrito que preferirás apenas sonhar. |
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Nesse dia
começaste apenas a não ser, a não ser cada vez mais, até que te tornarás
definitivamente não-ser. |
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1342 – Mesquinhez |
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Tua loja terá o
tamanho exacto que sempre quiseste que ela tivesse, |
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Tua vida terá a
mesquinhez exacta que sempre quiseste que ela tivesse. |
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Não queres
mudar porque não sabes já como mudar, de tão acostumado contigo próprio. |
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Está escrito
que sou tua bênção. |
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Perceberás que
a bênção inacatada devirá maldição. |
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Nada mais
queres da vida e eu forçar-te-ei a ver riquezas e horizontes e lonjuras… |
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Doravante que
os conheces, conhecerás tuas possibilidades de imensidão, teus
incomensuráveis infinitos. |
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E sentir-te-ás
pior do que jamais. |
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Saberás que
podes tudo. E saberás que o não queres! |
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Está escrito
que meu azorrague te porá a alma em carne viva. |
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1343 – Suspeitarás |
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Suspeitarás que
outras coisas haverá que tuas ovelhas não saberão ensinar-te, pendentes que
estão de água apenas e comida. |
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Suspeitarás que
além do muro de teu campo, teu campo não saberá mostrar-te nada. |
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Suspeitarás que
além da sirene da fábrica outra música haverá de que ela nem terá notícia. |
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Está escrito
que afinal nada te ensinam. |
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Está escrito
que afinal ninguém te ensina. |
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Tu, tu é que
aprendes! Quando te decides pelo além-muro. |
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E contra tal
não há poder que subsista. |
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Está escrito. |
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1344 – Fronteiras |
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Há uma linguagem
no mundo que todos compreendem. |
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Utiliza-la a
todo o tempo quando fazes a vida progredir, no trabalho, no lar, no convívio… |
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É a linguagem
do entusiasmo, do acto feito com amor e com vontade. |
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É a linguagem
que usas quando a ignoras, porque buscas o que ardoroso desejas, aquilo em que
acreditas. |
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Está escrito
que todos te entenderão para além das línguas, das raças e das fronteiras. |
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Está escrito
que os entenderás a todos. |
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Está escrito
que ninguém entenderá bem como se entendem tão bem todos. Nem estes o
entenderão. |
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Porque se
entendem para além de todo o entendimento, porque discernem com o coração.
Além da fronteira onde a cabeça ficou de vez retida, onde já não há mais
passaporte. |
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1345 – Decisão |
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Entenderás o
importante: a decisão é apenas o começo de algo. |
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Saltarás o muro
para o acto. |
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Descobrirás que
mergulhas numa corrente poderosa que borbota por dentro e por fora de ti. |
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E que nos dois
vectores te ultrapassa, te ultrapassa mesmo naquilo em que é parte de ti
próprio. |
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Está escrito
que te arrastará inelutavelmente para um lugar que jamais sonharas ao
decidir. |
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Aí principia o
outro mundo. |
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1346 - Sinais |
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Descortinarás
que tudo na vida são sinais. |
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O Universo é
feito duma língua que todo o mundo entende |
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mas já esqueceu. |
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Buscarás esta
linguagem em todas as coisas. |
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Por isso estás aqui. |
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Está escrito
que descobrirás a sorte e a coincidência. |
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E que é na
pauta de ambas que ecoam as notas da melodia universal. |
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E aprenderás a
cantar os acordes do destino, já que ele é que te fará quando a ti te
fizeres. |
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E descortinarás
que em tudo o mais te desfarás, pois fora do concerto universal não há nada e
em nada te tornarás. |
|
Está escrito,
desde o princípio dos tempos. |
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1347 – Trilho |
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Quanto mais
chegares perto do sonho, mais teu trilho calejado devirá tua vera razão de
viver. |
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Nele inscrita
verás a prova, cada vez mais a prova, cada vez mais a visibilidade. |
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Está escrito
que é possível, está escrito que és possível! |
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1348 - Deserto |
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Já cruzaste
muitas vezes estas areias. |
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O deserto,
porém, é tão grande, o horizonte fica tão longe!… |
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Está escrito
que te sentirás minúsculo, que a angústia te estrangulará a garganta perante
o bafo do infinito. |
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E permanecerás
em silêncio. O inefável te fecundará de promessas. |
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Nenhuma linguagem
poderá contá-lo. Mas tu compreenderás. Está escrito. |
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1349 – Pressentimentos |
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Entenderás que
os pressentimentos são rápidos mergulhos na corrente universal da vida que
perpassa em tudo, |
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Instantâneos
quase inapreensíveis dos leitos submarinos que pulsam secretos. |
|
Aí, onde a
história de todos os homens se interliga e unifica, unindo-se à matriz única
do Cosmos inteiro, |
|
Aí descobrirás
que poderás saber tudo porque tudo mora em tudo, porque tudo é um em todas as
coisas inumeráveis. |
|
Poderás saber
tudo porque tudo, afinal, está escrito: aprenderás a decifrar. |
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1350 - Medo |
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Verás que
ninguém sente medo do desconhecido porque é capaz de conquistá- -lo se o
quiser ou dele precisar. |
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Verás que todos
apenas sentem medo de perder o que têm, como tu o sentirás pela tua casa,
pela tua fortuna, pela tua vida… |
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|
Está escrito
que perderás o medo quando pressentires que tua história e a história do
mundo são lavradas pelo mesmo dedo, |
|
Quando viveres
que são uma só e a mesma, apenas em capítulos diversos, multifacetados. |
|
Está escrito
que aí perderás o medo. Finalmente descobrirás a paz. |
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1351 - Caravanas |
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Descobrirás as
caravanas de todos os viandantes, lerás as múltiplas voltas que darão em
todos os desencontros. |
|
Descobrirás
quão estranhamente rumam todas para o mesmo lugar. |
|
E lerás todos
os livros sobre o mundo. |
|
Todos são
escritos como caravanas: todos iguais a elas, rumos para o mesmo lugar do
mistério. |
|
E eis como o
que te esconde te revela. |
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1352 – Princípio |
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Suspeitarás o
princípio que move todas as coisas: |
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Quando desejas
algo de todo o coração, tocas a alma do mundo. |
|
Viverás a força
positiva que em ti mora e mora no Cosmos e no átomo e é sempre o mesmo fogo
em mil faúlhas. |
|
E como
positiva, fatalmente positiva, a descortinarás. |
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Está escrito
que serás um lume entre os lumes do grande Lume. |
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1353- Livros |
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Lerás a
estranheza dos livros. |
|
A ideia
repetida em todos, mesmo e principalmente quando a ignoram: |
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Todas as coisas
são manifestação duma só coisa, |
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Tudo são as mil
caras do Uno, |
|
Tudo é Um. Por
trás, por dentro, no fundo dos inumeráveis. |
|
Verás que tudo tem a ver com tudo, que tudo está em cada ume que todos não somos afloramentos demais da Unidade radical que nos sustém, nos suporta, nos suscita. Que nos é. |
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Lerás o que
está escrito por trás do escrito. Está escrito que o lerás. |
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1354 – Alma |
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Aprende que o
mundo tem uma alma, quem lhe entender a alma entenderá a linguagem das
coisas. |
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Aprende que ela
é a tua, a dos outros e a de tudo e, no entanto, é diferente. |
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Todas são os
ramos frondosos do tronco inatingível donde brotam e donde colhem a seiva
perene que as torna iguais. |
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Todas se
revelam na diversidade múltipla das folhas, flores e frutos inumeráveis do
Universo. |
|
Verás que são
tais e tantos que por trás jamais lograrás vislumbrar o tronco unificador que
lhes dá vida. Que te dá vida. |
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Está escrito que estas coisas são tão simples que nem poderão sequer ser escritas. Por isso escreveremos sobre elas interminavelmente. |
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Para que ao termo descubras o inefável. O silêncio. |
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1355 - Aprender |
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Aprenderás que
cada qual é uma maneira de aprender. |
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Tua maneira não
é a dele, a dele não é a vossa, os trilhos são inumeráveis, não haverá dois
iguais. |
|
Mas todos
descobrirás que andam em busca de sua própria história lendária, com os
poemas do sonho feito carne. |
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|
Está escrito
que por isto respeitarás cada fio da teia, cada ponta de meada que se enrola
rumo ao centro. |
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Respeitarás
cada aranha tecedeira como a ti mesmo, já que todas andam tecendo a
grande Trama, mesmo nos horizontes mais distantes e mais díspares. |
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1356 - Vivo |
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Estarás vivo, repara. |
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Comerás quando
estiveres a comer e nada mais. |
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Enquanto caminhares, apenas caminharás. |
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Lutarás se
tiveres de lutar, já que um dia é tão bom como outro dia para morrer. |
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Não viverás no
teu passado nem no teu futuro: enjeitarás servidões. |
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Apenas presente
terás, apenas ele te importará. |
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Viverás teu
presente até às bordas, nele permanecerás inteiro e então serás feliz. |
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Tornarás a vida
uma festa quando ela for apenas e sempre o eterno presente que estás vivendo
gratuito, desprendido. |
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Está escrito
que poderás ser eternamente vivo. |
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1357 - Tamareiras |
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Alegrar-te-ás
com as tamareiras. |
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Cuidarás que
Deus criou o deserto para que puderas fruir tal alegria. |
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Por quê
murmurá-lo? Deus grita pela boca de todas as coisas ao ouvido de toda a
gente. |
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Descobrirás que
a vida pura não há palavras que a contem, pintura que a retrate, música que a
cante… |
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