DUODÉCIMO  ITINERÁRIO

 

EM  VERSO  À  MEDIDA  ACARTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escolha um número aleatório entre 837 e 1137 inclusive.

 

Descubra o poema correspondente como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

837 – Em verso à medida acarto

 

Em verso à medida acarto,

Numa quadra popular,

O saber mais lapidar

Que à luz der da vida o parto.

 

E, se é dum amor que parto,

Logo além sonho o luar

E vou nele cultivar

Hortas de que serei farto.

 

Acabo no dia-a-dia

A desvendar a estrutura

Que me retraça a figura.

 

É, no fim, sabedoria

Que, em pequeninas receitas,

Cura da vida as maleitas.

 

 

838 – Falidos

 

Os falidos em milhões

Não perdem a refeição,

É só quem conta os tostões

Que apertará o cinturão.

 

 

839 – Proposta

 

Duma proposta a verdade

Nada a ver tem, de diversa,

Com a credibilidade

E, por igual, vice-versa.

 

 

840 – Prejudiques

 

Não prejudiques teus filhos

À partida desatando

Da vida quaisquer cadilhos,

- Que o fácil anda-os matando!

 

 

841 – Estupidez

 

Não subestimes jamais

A força da estupidez

Humana, que senão cais,

Sem ver onde pões os pés.

 

 

842 – Perdão

 

Num casamento feliz,

Quando numa discussão

Que tens razão descobris,

- Pedirás logo perdão!

 

 

843 – Desaprender

 

Manter-se jovem requer

Curar da capacidade

De sempre desaprender

Toda e qualquer falsidade.

 

 

844 – Maioria

 

Quando é que a história regista,

Em alguma ocasião,

Um caso apenas que exista

De maioria com razão?

 

 

845 – Segredo

 

O segredo principia

E, quando mal te precatas,

Aos tiros é que desatas:

- Principiou a tirania!

 

 

846 – Produtiva

 

Maior força produtiva,

Sem já vestígio de engano,

Não é a que o trabalho aviva,

Antes a do egoísmo humano.

 

 

847 – Moinhos

 

Derrubar moinhos de vento

Há-de magoar-te bem mais

Do que de moinhos um cento

Que nem ver queiras jamais.

 

 

848 – Tentação

 

Cede em jeito à tentação:

Pode ser que ela não volte

Jamais a passar-te à mão

E então quem há que te solte?

 

 

849 – Piedade

 

Um dos mais duros sinais

Que picam a humanidade

É o de que as leis naturais

Desconhecem a piedade.

 

 

850 – Zumbido

 

O zumbido da amizade

Dança num ritmo mais chão

E com mais facilidade

Que as cordas do coração.

 

 

851 – Ausência

 

Para quem ama, uma ausência

É a forma mais eficaz

De descobrir a vivência

Duma presença capaz.

 

 

852 - Terreiro

 

Homem que vem a terreiro

Quer barreiras que saltar,

As forças dum marinheiro,

Marés vivas, a enrijar.

 

 

853 – Destino

 

O destino é o que ocorreu

Após haver ocorrido.

Por mim, vou talhar o meu

Antes, porém, de haver sido.

 

 

854 – Sim

 

O sim é aquela palavra

Que leva tempo a murchar,

Safra embora seja a lavra,

Mormente no que a escutar.

 

 

855 – Gotas

 

Tanto incompetente anotas

Por um nada erguido ao topo!

- São, porém, pequenas gotas

Que entornarão sempre o copo…

 

 

856 – Arrefeça

 

Não há nada que arrefeça

Tanto a paixão como o esforço

De a manter, sem que ela aqueça,

Forçada a um eterno escorço.

 

 

857 – Liça

 

Um elogio excessivo

É sempre acto de justiça

E a crítica justa, ao vivo

Acende os ódios na liça.

 

 

858 – Preço

 

O preço dum ideal

Ninguém pode calcular

E, quando o atinjo, afinal,

Não era o dele o lugar!

 

 

859 – Talvez

 

Talvez a vaidade seja

Vício de humildes oculto

E a humildade que se veja,

Do vaidoso o escuso culto.

 

 

860 – Sós

 

Arte a sós arte não é,

Nem nela sou eu somente,

É quanto for quem a vê

Mais com quem ficar presente.

 

 

861 – Multiplicação

 

Multiplicação dos pães?

Milagre outro leva a palma:

Multiplicação que tens

De teu corpo pela alma.

 

 

862 – Êxito

 

Depende apenas de ti

O que atinges, se calhar:

O êxito nunca sorri

Ao medo de fracassar.

 

 

863 – Aleluias

 

Há tantas aleluias

Que afinal são endoenças!

E as lágrimas que sofrias,

De vida quantas presenças!

 

 

864 – Semente

 

Semente é coisa de nada,

Nem sequer terá valor,

Menos no afago que grada

Dos dedos do lavrador.

 

 

865 – Obra

 

Obra feita mais depende,

Contra a vulgar evidência,

Da vontade que empreende

Do que, ao fim, da competência.

 

 

866 – Oportunidade

 

Agarra a oportunidade,

É o primeiro mandamento.

Não distingue a divindade,

Distingue homem de jumento.

 

 

867 – Casca

 

Com esforço, lasca a lasca,

Mudando acaso o matiz,

Podes livrar-te da casca,

Nunca, sair da raiz.

 

 

868 – Medida

 

Muitas vezes, fim de tudo

Não é senão, à medida,

Não um fim, mas sobretudo

Princípio de nova vida.

 

 

869 – Tarefa

 

Dedica-te dez minutos

À tarefa que haja em frente,

Por mais que custe: os produtos

Dão a vitória a quem tente.

 

 

870 – Galho

 

Primeiro faz o trabalho

Que a ti mais te preocupa.

O resto não cai do galho?

- Nada o trilho agora ocupa…

 

 

871 - Oportunidade

 

Enquanto aguardas à toa

A oportunidade certa,

Vai fugir de ti, deserta,

A oportunidade boa.

 

 

872 - Jornais

 

Mas quem é que lê jornais?

Antes neles, cada dia,

Mergulho em banho de sais

Ao calor que se anuncia.