TERCEIRO TROVÁRIO

 

 

 

O IMPERATIVO QUE O COTIO BRINDA AOS CÉUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escolha um número aleatório entre 236 e 372 inclusive.

 

Descubra o poema correspondente como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                236 – O imperativo que o cotio brinda aos céus

 

                                                O imperativo que o cotio brinda aos céus

Canto em meu verso de pegadas desenvoltas

Rimando a vida nos degraus que forem meus,

Termo com termo, acto com acto, infante deus

Gerando um mundo destas mãos à roda soltas.

 

Canto o bom senso do equilíbrio dia a dia,

Sabedoria refinada tempo além,

Das profundezas a luz pura que alumia

Cada caminho de hora a hora a abrir também.

 

São os meus actos e do bem toda a peneira

Que rasgam terra nesta terra de ninguém,

Nestas palavras verso a verso abrindo a jeira.

 

Sabendo agir em qualquer ponto, hausto qualquer,

É mais que agir, é ser poema, enfim é Ser.               

 

 

37 - Preocupa

 

Quem faz a diferença

Não o faz pelas credenciais.

O que leva a que vença

E convença

É que se preocupa mais.

 

 

238 – Azedume

 

O azedume só convém

Se se perde por um triz:

Um passo além

E tudo fora doutro cariz.

 

A cortesia,

Quando a derrota fora

Aniquiladora,

É a única via.

 

 

239 – Muda

 

Quando te defrontas

Com o que não podes mudar,

Muda o modo de pensar.

 

Quando para tal apontas,

Mudar de mentalidade

Poderá significar

Que da vida a identidade

Mudaste em tudo o que aprontas.

 

 

240 – Formas

 

Quantas formas diversas de verdade!

Não é tão fácil assim:

Mesmo que eu a fale,

Podes não ser capaz de a escutar de mim.

Nesta corformidade,

O que quer que eu diga ou cale,

Por mais que o confira,

Para ti será sempre então mentira.

 

 

241 – Controlo

 

Controlo o animal

Que mora dentro de mim.

É meu parceiro vital,

Dele, porém, sou eu o amo

Até ao fim,

E não o escravo.

Ora, é assim

Que deveras o amo,

Conforme o açulo ou o travo

No porão de meu bergantim,

Enquanto as ondas do mar cavo

Corto da vida que conclamo

E deste modo lentamente desagravo.

 

 

242 – Mestre

 

És mestre e, por aqui,

Devieste humano:

Dominas o animal que há dentro de ti.

Toma, porém, sentido,

Não vás cair no engano:

- Dá-lhe aquilo que lhe é devido,

Ou frustrado, de ronha,

Logo ele te empeçonha.

  

 

243 – Hausto

 

O hausto da vida, ao nascer,

É comparado

Com enorme esforço e dor.

Quem de lutar tiver

Dele pelos brinquedos de agrado,

Como o recém-nado

Para à vida se impor,

Muito feliz há-de ser

E rico!

 

Como as facilidades por ora vão,

O que nelas verifico

É uma desilusão:

- Que pena a pobreza

De toda esta riqueza!

 

 

244 – Cidadania

 

Cidadania é atitude,

De espírito um estado,

A convicção emocional

Da virtude

Dum dado

Radical:

Um todo é maior do que uma parte.

E desta parte o dever

Será, destarte,

Humildemente se orgulhar

De se sacrificar

Para o todo poder viver.

 

 

245 – Lugar

 

Com que então, ser o primeiro!

Porque ele o foi, ela também,

Todos no lugar cimeiro,

Terei também de ser primeiro?

 

Aquilo que me convém,

Nem primeiro, nem segundo,

Nem sequer é o derradeiro.

Percorro o mundo,

Não me alinho com quenquer,

Não me presto ao rapapé,

Prefiro a minha medida:

- Quem si próprio quiser ser,

Único em sua libré,

Fora está de tal corrida.

 

 

246 – Vontade

 

Quando há vontade de agradar

Deverei ser indulgente,

Tanto bate o mar

Que um dia dá-me a praia de presente.

Quando um homem faz o que pode

Com os limitados pavios

E fios

Do que na vida lhe acode,

Vantagem tem alta

E merece mais elogios

Que o negligente a que nada falta.

 

 

247 – Jogar

 

Jogar com o sacrifício,

Jogar com a poesia,

É abordar o quotidiano com o resquício

Dum apelo à transcendência,

Para lhe suportar a agonia

Da falência.

 

 

248 – Fascina

 

O que fascina corrompe

E o que se ama,

Fracturada nossa trama

Pelo livre arbítrio que a rompe,

Bem nos pode destruir.

 

Todo o grande coração

Propende a uma irrealidade

Que, a seguir,

Como a peste, o furacão,

Se abate na Humanidade

Causando por todo o mundo

Um dano imenso e profundo.

 

Só enraizando-o no chão,

Comedido,

Se lhe logra estancar o sangue vertido.

 

 

249 – Prestes

 

A sabedoria,

Prestes sempre a evaporar-se,

Do desejo como é ténue fatia,

Só é veste que não se esgarce

Pelo pendor inarticulável:

De espírito a pobreza.

 

Ao materializar imaginário viável

Não abandones dos pés a ligeireza

Capaz de trocar as voltas,

Com breve leveza,

Aos desejos negros que de ti soltas.

 

 

250 – Devoradora

 

A morte,

A mais devoradora das paixões,

Remata a sorte:

Ponto final nas ilusões.

 

Esta impaciência

É entrar em profundidade,

Ante a própria decadência,

Da morte na identidade.

 

Privando-se do prazer da vida,

Não renuncia:

Descobre como a Natureza na Morte resumia

Do inteiro Universo a perdida

Magia

E então por inteiro se lhe entrega

Após a derradeira refrega.

 

 

251 – Desejável

 

Mesmo uma identificação

Com a espécie humana inteira

Não é a derradeira

Desejável condição.

 

Se vivemos um respeito profundo

Pelos demais humanos

Como recipientes de quatro biliões e meio de anos

De evolução da vida no mundo,

 

Por que não aplicá-lo além,

A todos os organismos,

Produtos também

Dos mesmos mecanismos?

 

Importamo-nos com uma ínfima fracção,

O gato, a vaca, a galinha, o cão,

 

- Porque úteis ou agradáveis.

Mas aranhas, cobras, salamandras, sáveis,

Mosquitos, achegãs…

- São, benéficos ou malsãos,

Por igual nossos irmãos

E irmãs.

 

 

252 – Humano

 

O ser humano apenas pode sobreviver

Matando qualquer outro ser.

Uma compensação ecológica pode, porém,

Tentar empreender,

Outros organismos cultivando também,

Protegendo florestas,

Evitando a matança indiscriminada,

Focas, baleias e outras bestas

Garantindo em reserva vigiada,

Banindo a caça destas,

Benéficas embora de entrada

Ou molestas…

 

- O ambiente da Terra deviria, como dantes,

Mais habitável a todos os habitantes.

 

 

253 – Ritmo

 

O ritmo da mudança

Não pode continuar indefinidamente

Mesmo se o limite o não alcança

Ainda o presente.

 

A velocidade de comunicação

Mostra e produz

Fronteiras que se nos imporão:

As da velocidade da luz.

Ninguém mais depressa

Que ela atravessa.

 

População maior

Que a que pode ser mantida

Não é de supor

Que à Terra seja permitida.

 

O ritmo da mudança

Qualquer dia encrava a dança.

 

 

254 – Teoria

 

Quando a teoria não é adequada

A única abordagem realista

É a experimental.

Experiência contraprovada

É a pedra de toque do cientista,

De último recurso tribunal.

 

Do que precisamos, antes de mais,

É de comunidades experimentais.

 

Era o fim da crendice, da superstição,

Do dogma, do catecismo,

Era a sem-razão

Do fundamentalismo…

 

Sem mais alibi

Enraizados no chão,

Aqui, finalmente aqui

À mão!

 

 

255 – Diminuir

 

O maior nacionalista

Há-de reconsiderar

O ponto de vista

Quando reparar

Na Terra a dimunuir gradualmente,

De débil crescente

A minúsculo ponto luminoso

Perdido entre biliões de estrelas.

O espaço permite calibrar

O nada tão nada que nem falá-lo ouso

Deste Planeta perdido,

Sem bússola nem velas,

Num Universo imenso e desconhecido.

 

 

256 – Geocentrismo

 

Não é didáctico

Mas aquilo em que confio:

Há um geocentrismo prático

Em nossa vida de cotio:

Falamos de sol-nascente

E poente,

E não há no mundo moda

Que afirme que a Terra roda.

Ainda olhamos o Universo

Como se fora organizado

Em nosso proveito,

De tal jeito

Que, em inúmeras migalhas disperso,

Apenas por nós seria povoado.

 

A espacial exploração da infinidade

Trazer-nos-á também,

Como convém,

Um pouco de realística humildade.

 

 

257 – Suprir

 

Suprir o metal pode-o quenquer

Mas não a tecnologia,

Nem o apego ao trabalho que houver,

Nem o engenho subtil e o que anuncia…

 

Não há nada, não há nada,

Quando alguém isto esbanjar,

Que coloquemos na bancada

Em lugar.

 

 

258 – Dogmas

 

De dogmas arrepelam crinas,

Insultam de ritos o mau feitio…

Orgulho de teólogos cujas sinas

Contraditórias verdades

Detêm no mesmo rio.

E nunca os persuades

De que tais gotas e borrifos

Fazem parte das ondas, das vagas,

Não de seus estreitos cacifos

A que mutuamente rogam pragas,

- Fazem parte da mole imensa, do fulgor

Do mesmo mar do Criador!

  

 

259 – Carreiras

 

As carreiras profissionais,

Tal como os foguetões,

Nem sempre arrancam, leais,

Na hora marcada pelas pretensões.

Para lhes garantirmos os favores,

A melhor das soluções

É aperfeiçoar os motores.

 

 

260 – Frágil

 

A mais frágil criatura,

Ao concentrar energias

Num único ser ou objecto,

Vitoriosa muitas vezes apura,

Dela pelas débeis vias,

Seu projecto.

 

A mais forte,

Se espalhar a força,

Joga a sorte

Na estrada,

E ao fim, do muito que se esforça,

Não logra realizar nada.

 

 

261 – Natureza

 

Com a natureza colaborando

Sem, ao invés, a violentar,

Vamos a doença curar,

Tal qual como a economia:

É só dar-lhe um jeito brando

Que a ajude na própria via.

 

As desgraças

Vêm de trocar-lhe as traças.

 

 

262 – Anos

 

Quanto mais os anos morrerm

Mais me importa encontrar na vida

A Beleza

De que pareço troçar ou que me despreza

Nos objectos que das mãos me correm

Por medida.

 

Ao menos, encontrar a plenitude

Que fruir o Belo consigo

Deveria trazer,

Alguma beatitude,

A dar-me obrigo.

 

Encontramo-nos à deriva

Entre o que por dentro somos

E o que, obrigados por esta época furtiva,

Nela pomos.

 

 

263 – Escrevo

 

Quando escrevo, nego

O que o Estado quer fazer

Quando julga que escreve:

Dele pego

No dever

E revelo quanto deve.

 

Nego o que o Estado escreve

Quando julga que o faz:

Nego que se atreva ao que se atreve

Quando a um Povo jamais nos satisfaz.

 

 

264 – Meias

 

Aquele que tudo embeleza

Triunfalistamente

Ou tudo transfigura por piedade,

Como o que tudo despreza

Cinicamente

Em agressividade,

- Todos são meia verdade

E, portanto, meio erro,

Nenhum transpõe o fatigado cerro

Da seriedade.

 

Tanto o ódio como o amor

Podem ser clarividentes

Como também, entrementes,

Cegos nos poderão pôr.

 

No teso da serrania,

A meio de cada pendor,

Aí é que a verdade espia,

Da imensidão esplendor.

 

 

265 – Felicidade

 

Felicidade deveras

Tem pontas de sofrimento.

Não vem de extraordinárias

Esferas,

De lançar mão, a todo o momento,

De arbitrárias

Medidas artificiais,

Nem de cultivar perene bom humor

Com esforços sobre-humanais.

 

Ser feliz é me propor,

Para além da miséria sem fim

E da dor que exista,

Dar à vida um sim

Realista.

  

 

266 – Reparar

 

A cristandade esvaziou-se do cristianismo

Sem bem reparar em tal.

Para reparar o abismo

Cumpre-nos, afinal,

Reintroduzir o cristianismo de verdade

Na cristandade.

 

- E nisto quantas vezes o ateu

É o mais fiel mensageiro do céu!

 

 

267 – Meio

 

Meio brasileiro e meio português

Poderei ser,

Cidadão de dois países a que me irmano,

Apegado e cortês.

 

É, porém, difícil ver

Como ser meio cristão e meio muçulmano.

Não há perfil deste jaez:

- Não é vinda

Para assumi-lo quenquer

A hora ainda?

 

 

268 – Espírito

 

O espírito do Nazareno logrou romper,

Apesar das falhas de indivíduos, igrejas, reinos,

Quando os fiéis, descontentes da palavra mera,

Desataram a segui-lo na esfera

Dos tenteios, dos gestos, dos treinos

Ante quanto ocorrer:

A verdade cristã não é tanto para conhecer,

Nem é para olhar, à espera,

- É verdade para tratar de viver!

 

 

269 – Cobra

 

Como a cobra abandona a pele velha,

Já me não vejo

No que a vida aconselha

E a que a juventude inclina:

Nem de ter mestres me resta o desejo,

Nem de escutar doutrina.

 

Não, não é que tudo saiba:

É que bem menos ilusão há que em mim caiba.

 

 

270 – Convém

 

Eis o tom

Que convém a teu teor:

Escrever é bom,

Pensar é melhor.

 

E, para não agires à toa,

Convém-te supor:

A inteligência é boa,

A paciência é melhor.

 

 

271 – Caminho

 

Onde me conduzirá

Este meu caminho ainda?

Às curvas para aqui, para acolá,

É um caminho louco,

Onde à loucura sobrevinda

Me adiantarei decerto pouco,

Que ele andará, de vez,

Em círculos talvez.

 

Vá embora por onde quiser,

Minha lei

Não tem por onde escolher:

- Segui-lo-ei.

 

 

272 – Aprendi

 

Aprendi, quando criança,

Que os prazeres do mundo e a riqueza

Não são bons para o que os alcança

E preza.

 

Há muito o sabia,

Apenas agora, porém, o vivi:

Não é só memória e fantasia

Que tenho aqui,

Mas meus olhos, meu coração,

Meu estômago, cada mão…

 

Senão, em mim quem era rei?

- Ainda bem que agora sei!

 

 

273 – Retorno

 

O que até ao fim

Não é suportado e resolvido

Retorna então assim,

Procurando consumar o próprio sentido:

- Enfrentamos a todo o momento

Sempre o mesmo primitivo sofrimento.

 

 

274 – Meta

 

Quando alguém procura

Pode ocorrer que dele os olhos

Apenas o que procura vejam

E então de facto sejam

Escolhos

Em tal postura:

Não permitem encontrá-lo

Porque ele vive possuído

Pela meta do regalo,

Como objectivo

Obsessivo

Que lhe tapa vista e ouvido.

 

Procurar é ter um horizonte

E então encontrar é ser liberto,

Manter-se aberto

Para erguer a ponte

Onde aflorar um gesto vivo,

E nunca acabar a monte,

Prisioneiro dum objectivo.

 

 

275 – Partilhar

 

Podemos partilhar conhecimentos,

Não a sabedoria.

Podemos encontrá-la entre os eventos,

Vivê-la para além da fantasia,

Ganhar relevo com ela,

Com ela gerar maravilhas,

Que lhe não comunicamos nenhuma parcela,

Não a ensinamos, isoladas ilhas.

 

Convém pressenti-lo,

Cada qual um aprendiz,

Que colher dos mestres aquilo

É o que mestres gera de raiz.

 

 

276 – Meditação

 

Tem a meditação profunda

De abolir o tempo a possibilidade,

De ver simultânea, em procissão jucunda,

Toda a vida

Outrora acontecida,

A que hoje acontece

E a que há-de

Vir a acontecer.

E aí tudo é bom, tudo é perfeito,

Tudo é Ser.

 

Por isso o Todo a eito

Me parece

Bom:

Pecado e santidade,

Morte e vida,

Sensatez e loucura,

Toda a figura

É requerida

De fundo naquele tom

E só quer minha vontade

Afectuosa.

Então, sendo tudo bom para mim,

Apenas me pode encorajar,

Não molestar.

E quem o mundo goza,

Enfim,

É quem lhe permitir ser como for,

Para poder amá-lo

Com o devido fervor,

Sem nele introduzir o próprio abalo.

E feliz ser

Pelo milagre simples de lhe pertencer.

 

 

277 – Contado

 

A palavra não faz bem ao sentido oculto,

O igual devém um pouco diferente,

Mesmo contado em voz de culto

É um pouco falseado, louco, demente.

 

Mas é bom e agrada também

Que o que é para uns tesoiro e sabedoria,

A fonte da alegria,

Seja sempre uma loucura para alguém.

 

Assim se mantém perenemente vivo

O pendor do que é fatalmente esquivo.

 

 

278 – Verdade

 

A verdade desesperante

Prefira

Sempre a qualquer repugnante

Mentira.

 

A não ser que queira

Tombar, a prazo, na jeira.

 

 

279 – Silêncio

 

O silêncio dos páramos infinitos

Envolve o frenesim humano

Dissolvendo gestos e gritos,

Diluindo a  mágoa

Da mancheia de pó que, no desengano,

Se esboroa dentro do infindo oceano

Como em água.

 

 

280 – Grande

 

Se um grande homem não tem moralidade,

É sinal

De que a moralidade pouco vale:

Importante,

Então, de verdade,

É devir tal

Grande homem adiante.

 

Tal é a lógica infantil,

Não lhe escapa um em mil.

 

 

281 – Músico

 

De músico para um coração

Tudo é música, tudo:

O que vibra, agita e pulsa no Verão,

As  noites em que o vento apita agudo,

A luz a fluir, os astros a piscar,

A tempestade, das aves o canto,

Os insectos a zumbir,

As árvores a fremir,

A voz que amar ou detestar,

Ruídos familiares do lar,

A porta que range entretanto,

O silêncio a latejar

Numa qualquer noite de encanto…

 

É música tudo o que existe

De músico para um coração.

Através de tudo subsiste,

Veste de gala

O serão.

 

A questão

É dar-lhe a fala:

- É de vez interpretá-la.

 

 

282 – Cruel

 

É cruel para os pobres

Prenderem-se ao passado,

Que não têm direito, como os ricos,

A um passado que lhes cobres:

Não têm casa, nem monte, nem valado,

De jóias as arestas, de alfinetes os picos,

Onde as recordações guardar.

 

Deles a alegria

E o pesar,

A euforia

E o tormento

São cada dia

Em demasia

Dispersos ao vento.

Não deixam memór