7ª. Redondilha
As Pegadas
dos Avós
Escolha aleatoriamente
um número entre 927 e 1141 inclusive.
Descubra o poema
correspondente como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.
927
7ª. Redondilha
As pegadas dos
avós
Nos enlaçam a
aliança
Entre o que
detrás se alcança
E o que alcança
a nossa voz.
Do grande rio na
foz,
Ancestrais
passos de dança
Dançamos e não
nos cansa
Quanto o amor
talha de nós.
Canto os laços
que, enlaçados
Desde o mais
fundo das eras,
Passo a passo
aqui chegaram
Mais a paixão
que, enlevados,
Daqui nos lança
às esferas
Onde os deuses
por nós aram.
928
929
Não
Falas
Não posso cantar de
amor,
É de amor que falas
Que cantar de amor um
dia
E eu jamais te imito:
É cantar que
cantaria
- Como abrir em alas
O fogo onde há só calor.
Plagas do infinito?
930
931
Quimera Silêncio
Como falar-te de
amor
Falaste e um grande silêncio
Se me esqueci de quem
era
Entre nós cava a voragem.
E o que somos vem-se
opor
Dentre ela este abismo vence-o
Ao eterno desta
quimera?
Só o tamanho da mensagem.
932
933
Lições
Genealógica
A vida só nos
carece
Quem quer um lugar ao sol,
De algumas lições
discretas:
Previsão meteorológica,
- Quando o amor nos
acontece
Não busca à sombra o crisol
Viramos todos
poetas.
Duma árvore genealógica.
934
935
Famíl
Tempestade
Rostos de tua
família,
Na natureza o trovão
Mágico espelho das
eras
Explode com tempo quente;
Em permanente vigília:
No lar é o gelo, o nevão
Diz quem és e o que
veneras.
Que é tempestade eminente.
936
937
Valhas
Relação
Um bom
casamento
Quando a relação de afecto
Requer que lhe
valhas:
Entre vós melhora mais
Mais que
linimento
Logo o corpo oferta um tecto:
Quer novas
vitualhas.
No sexo vos ateais.
938
939
Neve
Fogo
O cabelo
branqueado
Só por si o amor não chega.
Não me deu nunca
canseira:
O amor é fundamental
Quando há neve no
telhado
Mas, prò fogo em que navega,
É que há lume na lareira.
Ter companhia é vital.
940
941
Nobreza
Condição
É sobretudo
importante
Vou jogando a História inteira,
Ter uma nobre
ascendência
Mais e mais senhor de mim,
A quem, pela vida
adiante,
Sem ver que eu, na brincadeira,
Nada fez de
referência.
É que sou jogado ao fim.
942
943
Paciência
Gradual
É um treino de
paciência
Via da educação mútua
Na bicha aprender a
andar.
Não é ralhar, por sinal:
É a mais antiga
ciência:
A sabedoria reputo-a
- Nasci nela e já a
gritar!
De saber ser gradual.
944
945
Progenitura
Mãe
Nossos pais mataram
francos,
Como é que Deus tem valor,
Nossas mães foram
forneiras.
Se três num não há nenhum?
Entre espadas e
tamancos
- Poesia, Mãe e amor,
Ando a arrotear
sementeiras.
Sendo três, é tudo um!
946
947
Familiar
Casamento
O meio
familiar
Desde sempre o casamento
É que murcha o
esquizofrénico:
É apenas trivialidade;
A vivência ao lhe
acusar,
Porque tal é o fundamento
Serve-lhe o copo de
arsénico.
Lhe sagram a realidade.
948
949
Arranjado
Asas
A mulher e o marido,
Em quase todas as casas
Num casamento
arranjado,
Habita a infelicidade,
Entre si tudo
entendido,
Por isso ninguém tem asas
Nada têm que seja amado.
P'ra voar p'la infinidade.
950
951
Flagrante Casamentos
Caso co'um apartamento
Os casamentos bem sucedidos,
Ou uma casa de
campo?
Por trás da perene união
- É em flagrante que o
momento
Guardam mistérios escondidos:
Me pega onde quer que
acampo.
- São sociedades de mútua admiração!
952
953
Ver
Inocência
Quanto aprendia de
vós,
Cora a inocência ao entender
De ouvir-vos contar e
ler!
O piropo que disseste.
E quão parca é a vossa
voz
Rir, porém, sem compreender
Ante o nada do meu
ver!
Mais inocência reveste.
954
955
Suspeito
Vinha
Todo o homem é um
suspeito
O meu amor tem gavinhas,
Pelo facto de
existir,
Cachos de uvas sumarentos.
Que existir é pôr-te ao
peito
Vindimar as minhas vinhas,
O punhal de
decidir.
Que prisões e que tormentos!
956
957
Trepadeira
Amizade
No meio da sala um
vaso,
Para a amizade não há
No vaso uma
trepadeira.
Como o modo que a concebe:
Porque com ela me
caso
Ignorar o que se dá,
Nela trepo a vida
inteira.
Lembrar o que se recebe.
958
959
Respeito
Tipo
Toda a amizade é
respeito,
Faz as amizades certas,
Respeito p'las
diferenças,
Amigos de todo o tipo.
P'los sonhos que levo a
peito,
Se em teu nível os apertas
Mesmo pelas más
sentenças.
Nunca contigo me equipo.
960
961
Amigo
Alicerço
Ter amigos, de
repente,
Alicerço uma amizade
Podem ser festas a
esmo:
Se aos outros dou bem-estar,
- Ter um amigo é um
presente
Se admiro a capacidade
Que eu me ofereço a mim
mesmo.
De cada amigo se dar.
962
963
Porta
Outros
Um amigo é
confiança,
Eles, os outros e aqueles
Gosta de nós, que é que
importa?
Foram criados por nós:
Ouve-nos, faz
aliança
A opinião pública a eles
Com quanto nos abre a
porta.
É o que ata ou desata os nós.
964
965
Outrem
Fronteiras
P'ra nos proteger a
nós
"Nós" e "eles" são fronteiras,
Falam do perigo deles,
Uns dos outros somos sombras,
Mas outrem que é tão
feroz
Para escapar às sangreiras
É aquilo com que o
impeles.
Só do humano nas alfombras.
966
967
Fortuna
Bela Adormecida
Contas amigos aos
montes
Longe vai um emigrante,
Quando a fortuna perdura.
Sonha a bela adormecida.
Nem sequer, porém, os
contes
Algema a saudade instante,
Se a sorte se torna
dura!
Logo se lhe algema a vida.
968
Crepúsculos
Ah, crepúsculos lentos em que aldeias morrem
Depois que regressaram aos pombais os pombos!
Moles dormem nos tempos que insensíveis correm,
Cegas às andorinhas deste mundo aos tombos...
969
Brado
Um amigo de
verdade
É o que me
atende ao meu brado
Quando, por sua
vontade,
Estaria noutro
lado.
970
971
Elogios
Dar
Um amigo apaga o
fogo
Melhor receber que dar
Com que se incendeiam
brios,
Deita a amizade a perder.
Joga um agradável
jogo:
P'ra a poder consolidar:
O intercâmbio de
elogios.
- Melhor dar que receber!
972
973
Saudade
Vida
Tenho saudades de
ti,
Mulher perdida não é
Magia aos pés te deponho...
A mulher da minha vida,
Saudades do que
vivi?
A minha vida é que é
- Tenho é saudade do sonho!
Sempre uma mulher perdida.
974
975
Condão Ausência
A varinha de
condão
Magoa-me a tua ausência
Te tocou, secreta, um
dia.
No silêncio dos meus dias.
Logo o sol
despontaria:
Isto é a minha dependência
- Teu rosto na
escuridão!
Ou tu que em mim principias?
Um amor no fim da
vida,
Velhice não é só idade,
Esperança ainda a
brotar:
São os sonhos que nos movem
Sendo já uma
despedida,
A perder velocidade:
Diz adeus mas quer
ficar!
- É o cansaço de ser jovem!
978
979
Velho
Filhos
Primeiro era o
bailarico,
Filhos são modo barato
Foi depois a festa a
ir-se,
De enganar a minha idade,
Nem com passeios eu
fico...
Neles compro ao desbarato
- Ficar velho é
despedir-se!
A sombra da eternidade.
980
981
Filho
Divindade
Ter um filho é
decisão
P'ra qualquer mãe a verdade
Com indecisões
envoltas:
Se resume no estribilho:
É escolher meu
coração
O filho é uma divindade,
Por fora do corpo às
voltas.
Divindade de ser filho.
982
983
Engravidar Maternidade
Mulher que não
engravida
Será que um amor de mãe
Sofre porque algo
morreu,
Dura toda a eternidade
Não do que já teve
vida
Ou dura sempre p'ra além
Mas do que nunca
existiu.
O amor da maternidade?
984
985
Cansado
Apoiar-se
Ai, filho, que
fatigado!
Mulher que, sob tensão,
Papas, fraldas, te
entreter...
Pelo seu marido apele,
- Quase a me
surpreender
Não tem preocupação:
Cansado de andar
cansado!
Busca só apoiar-se nele.
986
987
Atenções Nasceste
Quando uma esposa se
mostra
Este amor não era o teu,
Emotiva, está, de
facto,
Nem esta energia, mãe:
A pedir a tua amostra &nbs