SÉTIMO VERSO
DESDE A RAIZ
O QUE DE LÁ NOS VEM
Escolha um número aleatório entre
636 e 736 inclusive.
Descubra o poema correspondente
como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.
636
Garante mais alegria
Desde a
raiz
Que
querer muito dinheiro,
Emprego
de fantasia,
Desde a
raiz
Um
casamento cimeiro...
O que de lá nos
vem
É que nos
diz
O fantástico não vem
O que de antanho
nos
contém
Nas redes do dia a dia.
E dali nos
desenha a
subir
E por ele há muito quem
Hoje o traço de
giz
Perde as horas que fruía
Do
porvir.
E agora não é ninguém
Na vida que o desafia.
637
Bem
sucedidos
640
Rir
Bem sucedidos,
eis quem
Sabe que ao topo
dum
salto
Se fizer rir as pessoas
Não chega jamais
alguém:
Desperto-lhes a atenção.
Passo a passo
trepam
alto
Depois
posso cantar loas,
E não ligam à
aspereza
Vir de varapau na mão,
Do chão que os
pés lhes
despreza.
- Porque, faça o que fizer,
Sempre me irão acolher.
638
Horizonte
641
Jardinagem
Um grande homem
me estimula
Pela força de seu
acto,
A jardinagem é linda,
Um grande livro
cumula
Feita de prazer e mágoa.
Meu pensar no que
lhe
acato.
E mais nos requer ainda:
Tanques e regueirões de água
Homens e livros,
em
frente
A regá-la com amor...
A alcançá-los nos
incitam.
...E o mais de água é de suor!
São escadas do
presente:
Novo horizonte
debitam
Pelo qual o nosso
olhar
642
Mais além visa
alcançar.
Perigo
O perigo dos perigos
639
É
uma mulher solitária
Sina
Entre
cem homens amigos,
Pois
lhes mata a sorte vária.
Toda a vida é uma
rotina,
Que tem de
maravilhoso?
É
um perigo para ela,
É cumprir a minha
sina
Que cem desencabrestadas
Co'o que houver
de
saboroso.
Alimárias à janela
Não são sinas namoradas.
Ser feliz ou
infeliz
Provém donde está
a
fasquia:
Mas é maior para eles,
Será sempre quem
mais
quis
Que amigos jamais serão.
Que mais fruste
se
arrepia.
Nada dou por suas peles:
- Em breve estão no caixão!
Ter um bom
pequeno almoço,
Uma bebida em
comum,
Uma sesta quando
posso,
Uma flor em vaso
algum
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643
P'ra começarmos a andar
Dinheiro
À
procura dos sinais
De nos diferenciar.
Desvalora-se o
dinheiro,
O dos ricos,
sobretudo,
De facto jamais gostamos
Que o montante é
ali
cimeiro:
De em tudo ser semelhantes
Como é dinheiro
graúdo,
E pressurosos buscamos
Na quebra vai
valer
menos.
Perfis
outros bem gritantes.
É por isso que
eles têm
Nós, porém, acorrentados
De ter muito, sem
medida...
Uns aos outros sempre andamos
Pela condição jogados
Contas são-lhes
de
somenos:
De mortais que nos fadamos.
De quanto compram
provém
A maior paga, em
subida
E assim fica protelado
Cada vez mais
disparada.
O voto todos os meses:
É a ganância
desmedida
Somos sempre, em todo o lado,
De garganta
estrangulada.
Todos irmãos siameses.
Se ao pobre
aquilo o seduz,
Não tem ganho que
a tal chegue.
É o rico que
embaça a
luz
647
E ata os grilhões
que
carregue.
Povoados
Há
aqui muitos povoados
644
Povoados de jazigos,
Mundo
Que
as casas, por estes lados,
Já
não servem mais de abrigos.
O mundo não é do
homem,
O homem foi feito
nele
Ninguém lhes toca sequer:
E o mundo tanto o
compele
É que aqueles que as habitam
Que quantas
coisas o
tomem
À vida nada debitam,
Todas forçam a
cumprir
Andam a
deixar de ser.
O que o mundo
quer e não
O sonho de que o
porvir
Saia ao fim de
nossa
mão:
648
- Não sou eu que
estou a
ir,
Grato
Que outrem tem
meu coração.
- Tanto por mim fez! Estou grato...
-
Mas foi tudo por ti feito!
645
- E como tomá-lo a peito?
Nascer
É
só de si que o acato.
-
Pois di-lo-ia qualquer,
Não, eu não quero
nascer
Pais, mestres ou companheiros...
Nem a ferros
arrancado!
Vieste comigo ter
Quero aqui
permanecer
Em busca de conselheiros,
Neste meu mundo
encantado
Por
isso é que a mim me ouviste.
Sempre a germinar
o
fado
Tudo o mais é em ti que existe.
Sem a prova de
viver.
Pouco ou nada contribuí:
- Parteira,
troque o mister,
Já o tinhas dentro de ti!
Faça nascer o
outro lado!
646
Siameses
Nascemos todos
iguais
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649
653
Algo
Esquecer
Nem sempre temos
aquilo
Em certas ocasiões
Que os outros nos
pedirão,
Tão
importante é esquecer
Mas há sempre em
nosso
silo
Como o próprio recordar.
Algo mesmo ali à
mão:
E, se requerer perdões,
- Que mais não
seja, no
fim,
O que então de nós requer
O que eu queira
dar de
mim.
Mais
difícil é de dar:
O custo que esquecer custa
Mede quanto custo à justa,
650
Pois o perdão, quando fere,
Inverno
Fere
então à minha custa.
O inverno é o
tempo do mal
Se não houver que
fazer:
654
Ler quanto p'ra
ler
tiver
População
À lareira, até o
jornal,
Declamar, ferver
cacau,
É
da natureza humana
Moldar bonecos de
neve,
Continuar qualquer coisa
Saltar o granizo
a
vau,
Agradável, sucedida:
Ser criança um
tempo
breve...
- E a população dimana,
O inverno é uma
boa
altura,
Duplica
as contas na loisa
De chuva e frio
me
inundo
Cada quadriénio de vida!
E desligo-me do
mundo:
Até o dia em que não saiba
- Minha casa é a
minha
cura!
Onde tanta gente caiba.
651
655
Encanto
Jejum
É o encanto a
qualidade
O jejum é uma homenagem
Que nos degela e
desarma,
À beleza do apetite:
Que maravilha e
fascina:
Quanto
mais longa a romagem,
Luz da
personalidade,
Mais gozo a festa em palpite.
Será o duradoiro
karma
Que a vida
inteira
ilumina.
Hoje em dia, acumulados
Comemos todos em cima,
Em
recantos isolados
652
Nenhum lugar hoje prima.
Dentro
O
cansaço em que vivemos
A chuva bate no
chão
Vem
da regularidade:
E por mim dentro
é que
vão
Nós brincamos e comemos
Seus pontos de
exclamação.
Com fiel perenidade.
À tempestade os
arbustos
Fazem vénias,
pagam
custos
Da comida e da família
Que, afinal, são
os meus
justos
Dantes
tudo era distante:
Receios de que a
caminho
Era menor a quezília,
Venha o fim de
onde me
aninho
Que a escassez gera o amante.
E em vez do fim
nela provo
É que me lavo e
renovo.
Se com fome te não davas,
Com
demasias descambas.
Sem família a fome agravas?
- Melhor valorizas ambas!
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656
E,
por fim, é incompreendido
Lado
Quem
mais faz por ter sentido!
Não te vás zangar
comigo
Por trôpego ir a
teu
lado
659
Na fuga para o
abrigo,
Tempo
No mundo já
destroçado.
O tempo conhece tudo,
Vemos quanto a
vida é
curta,
Porém, tem várias medidas.
Sempre o passo é
de
apressar,
Põe-nos a jogar o entrudo
Ninguém à pena se
furta.
E
o caixão é o sobretudo
Ocupemos o
lugar.
Com que ao fim nos veste as vidas.
Muito se espera
daqueles
Que com coragem
são
fortes.
660
Quando aos
projectos que
impeles
Fortunas
Os estraçalharem
mortes,
O problema das fortunas
Se vivo não
estiver
É o da terra de as criar:
Fisicamente a teu
lado,
É de leivas importunas
Pensa em mim, que
ainda hei-de
ser,
E sempre noutro lugar!
Mesmo morto, teu
aliado!
As
fortunas já estão feitas
E pouco resta que sobre,
657
Nem nos salvam as colheitas:
Anos
Para
quem já nasceu pobre
Isto
é terra de maleitas!
Há maus anos e
anos bons,
A cada qual sua
estrela.
Não vem, porém,
de seus
tons,
661
Antes de cada
sequela.
Frio
O que é bom para
qualquer,
Sinto
o frio que passámos
Para qualquer
outro é
mau.
De há milhões de anos em casa.
Às vezes é bom
chover,
Nos ossos no-lo entranhámos,
Que se passa a
chuva a
vau,
Não há chama, não há brasa
Que o frio nos mate e a fome
Porém, outras é a
desgraça
Que no estômago nos teima.
Que nos vai cair
do
céu.
E assim o mundo se come,
E, por mais que
um homem
faça,
E
assim o mundo se queima!
A natureza
venceu.
E nada afinal consome
O desperdício da freima:
Na chuva como no
frio,
O ancestral frio do inverno
Façamos o que
fizermos,
Dá
saudade até do inferno!
Em qualquer meu
desafio,
No fim, ela impõe
os termos.
662
Frios
658
Inteligência
Quantos
frios apanhei
Por
orgulhos de família!
Jogamos na inteligência,
Quando os frios são de lei
Apesar de
perigosa:
Como fugir à quezília?
É rebelde por
essência;
Dentro
do mesmo sujeito
Insubmissa, a
paciência
Sempre coexistem bem
Mata de quem mais
a
goza.
Orgulho e frio a preceito:
&