NONO VERSO
SABEDORIA NÃO
SERÁ CIÊNCIA
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entre 847 e 946 inclusive.
Descubra o poema correspondente
como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.
847
852
Sabedoria
Curar
Sabedoria
Não é um problema, doutor,
Não será
ciência,
A questão de me curar.
É o sabor que
principia
Para a doença maior
Quando descobrimos que por trás de
tudo
Eu preciso é de mentor:
Há,
sobretudo,
-
Para aprender a pensar!
Ausência.
848
853
Solução
Vazia
O passado é a
solução
Uma cabeça vazia
Dos enigmas que eu
enfrente
É sempre um risco eminente,
Ao buscar o que
procuro:
Não pelo que conteria,
Vendo o que ele foi
então,
É que atulha a fantasia
Comparando-o co'o
presente,
Por si própria, de repente,
Posso prever o
futuro.
Dos mais loucos pensamentos
Que virão de dentro dela
849
E
não terão elementos
Significado
Que
nos falem dos momentos
Do
que vemos à janela.
Pela vida além buscar
O que significa a
vida
Vai ser mesmo urgente enchê-la,
É mais do que procurar:
(Já que, por falta de aviso,
É já, de forma
escondida,
Perderá mesmo o juízo)
Significado lhe
dar.
Do que do mundo na tela
Nos traz cada ser preciso.
850
É que os monstros, doutro modo,
Biografias
Brotar-lhe-ão
do inconsciente
E
arrastarão pelo lodo,
A questão das
biografias
Confundindo o sonho todo,
É que só são
admiráveis
Quanto na vida é decente
Se os biografados são mortos.
Quando vivos, atrofias
As proezas mais
fiáveis,
854
Desanca-los, põe-los
tortos!
De
parte
Só deparo com farrapos
Destes génios
mutilados,
De parte vê quanto nos tapa
Toda a vida
achincalhados,
A vista demasiado,
Quando, mortos, junto os
trapos.
Quanto o melhor nos escapa
Se
o de dentro é o nosso lado.
Como superar o fosso
Do génio feito um
destroço?
Viver demais uma intriga
Com a verdade em nós briga.
851
Sentido
855
Imagens
Um amor é uma emoção,
Um sentimento
vivido,
As imagens se nos somem
É uma ideia, um
furacão...
Como na figueira os figos
Não é nada disso,
não:
Que as aves larápias comem.
- No fundo, o amor é o
sentido!
O que sou para os amigos
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Jamais é o que de mim
tomem
Daquela estranha doença
Os que são meus
inimigos.
De aos outros abrir o cofre
E no halo dos
afazeres
Dos
génios maus que ao fim vença,
Que serei para as
mulheres?
Com o pecado revelho
O mistério
continua
De se não ver ao espelho.
Quando ponho o pé ma
rua:
E assim vamos todos cegos
Qual será minha
feição
A
afundar-nos pelos pegos.
No que imagina este cão
E aquele gato vadio
Como é que vê meu
feitio?
859
Doida
As imagens se nos somem...
- Afinal, que será um
homem?
A pessoa mais normal
Irá
por doida passar
Do psiquiatra ao olhar,
856
Sempre ávido de intuir
Grade
Na
mente de cada qual
Seja
o que for que bulir:
Há muito quem fique
preso,
E na avidez desmedida
Pássaro numa
gaiola,
Internará no hospital
Sem jamais tomar o
peso
Nem
que seja a própria vida!
A quanta grade o viola,
Pois, se o toma, ainda verá
Que, afinal, grade não
há.
860
Riso
E ali mora no cantinho
Que no mundo julga o
seu,
Como é que o riso renova
Ama e odeia,
adivinho
A nossa visão tacanha,
Do que fora será o
céu
Rasgando estradas no chão?
E tão infeliz se
julga,
- O riso é uma branda escova
Desgraçado se
promulga
Que tira as teias de aranha
De cima do coração.
Que a si talha a própria sina:
- Torna-se quem se imagina!
861
Ambiciosos
857
Atropelo
Os
que são ambiciosos,
Além
de quanto possuem
Aquilo que a gente
diz
Buscam fins mais perigosos
Nunca aquilo é que se
ouve,
Em que os homens se diluem:
Que o sentido não condiz.
O que houver daquilo que
houve,
Como os animais e plantas
Num ouvinte, é um
atropelo,
Querem os homens às tantas!
Gizado à sua maneira,
Em que todo o meu desvelo,
Da forma mais
trapaceira,
862
Devém mero
fingimento Homem
De sentido e sentimento.
E aqui vou sempre
sozinho
A vida humana é um vulcão
Ao lado de meu
vizinho.
Que não encontra saída:
Ser homem é uma paixão
Que
não é correspondida.
858
Doença
A psiquiatria já sofre
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Não, não pode ser
verdade
866
Que uma estrada
verdadeira
Subalterno
Seja a que o porvir invade
E após não chega à
fronteira!
Subalterno é o preconceito
De julgar-se no dever
Mas quem sabe do
mistério
De ter de odiar do peito
Do homem, de arcanos seus?
O chefe, mas sem dizer.
Não basta o maior império,
- Era preciso ser
Deus!
O que se torna exequível,
No termo desta missão,
É
que só resta possível,
863
Ante o chefe, a submissão.
Buscar
Na
humilhação da humildade
Buscar um sentido à
vida
Acaba sendo impelido
É procurar por um
Deus
Pelo amor da potestade,
Que no mistério do
mundo
Feito escravo convencido.
Dilate a minha medida.
Fica o problema mais
fundo:
E nem sequer vem do medo,
Nesta busca doutros
céus
É
espontânea dentro dele
Qual a terra que ao fim
viso,
A entrega ao fim a tal credo
De que Deus é que
preciso?
Que é do subalterno a pele.
864
867
Sei
Letra
Eu só sei que nada
sei
Os coelhos, os carneiros
Ou nem isso
saberei,
Não são pessoas, ou são?
Que para tal
conclusão
Os homens são os primeiros
Não basta esperto
convénio:
Que
o que são não saberão.
É preciso dimensão,
Dimensão que só de
génio!
Pessoas são animais
E por mais que um homem ande
Só distingue os seus sinais
865
De assinar com letra grande.
Dedicar-me
Dedicar-me à minha
gente
868
Requer mais que
sacrifício,
Medo
Desistir de ser valente,
Mendigar um
benefício.
Não tenho medo nenhum
Dum homem, qualquer que seja.
É preciso
compreender
Medo só me resta um,
Que, desde que eu abra a
boca
O daquilo que não veja,
E o que penso vá
dizer,
Daquilo
que não conheça,
Um dilema se
coloca:
Dos entes que andam perdidos,
Que moram na humanidade
Não a abrirei p'ra
comer.
E com que um homem tropeça.
E, se assim o vou pagar,
Mesmo
em alerta os sentidos,
Os meus também vão
sofrer,
Deles é qual a verdade?
Os meus, se me não
calar.
Eu terei de o descobrir
Para poder garantir,
Mais que minha sanidade,
- Que pode haver um porvir!
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869
873
Quê
Aprender
Procurando não sei
quê
O que se deve aprender
Ando à deriva na
vida...
É o significado da vida
E o que perdi que é que
é?
Naquela conta devida
Aí é que está, que esta
lida
Que
baste para morrer
Com a prontidão contida
É à procura duma
coisa,
De quem cumpriu seu dever
Coisa que nunca
perdi...
E então faz a despedida.
Mas o anseio não repoisa
Se a não encontrar aqui.
874
Mas como encontrá-la,
como
Flores
Se nem sei que é que será,
Só sei que é coisa de
tomo
O habitante solitário
E que onde estou nunca
está?
Dum planeta sem ter flores
Creria dever diário
O de alegrar os humores
870
Devido apenas ao facto
Robô
De
aqui as termos em acto.
A mente humana, de exausta,
Vive condenada à
morte.
875
Destina-lhe a sina
infausta
Louco
Um de dois fados à sorte:
Entre o louco e eu
Um será o de
enlouquecer,
Há uma diferença
Outro, o de
imbecilizar-se...
E que é muito pouco
- Do mundo no
entardecer,
Em qualquer sandeu
É a vez de o robô
pensar-se?
Que bote sentença:
- É que eu não sou louco!
871
Incompreendido
876
Perde
É o amor incompreendido?