DÉCIMO VERSO
NEM A EFICÁCIA
DE MOVER O MUNDO
Escolha aleatoriamente u número
entre 947 e 1063 inclusive.
Descubra o poema correspondente
como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.
947
O que vocês não admitirão
Nem a
eficácia
É
que não tenho fronteiras!
Nem a
eficácia
Ora,
De mover o
mundo
Não é aqui mas sempre além
É
perspicácia.
Que
aposto desde agora
Quando a
aprofundo,
O que convém.
Não vale nada
Comparada
Deixem-me em paz!
À
energia
Primeiro,
Dum sonho que
principia.
Porque
tanto faz:
No momento derradeiro,
Queiram-no ou não,
948
Sou inteiro
Avião
E
com tudo em comunhão.
Sob as nuvens, o
avião
Depois,
A curva mole
descreveu,
Nem convosco serei dois:
Insecto
Somos um no mesmo grito
A passear no
chão
A chamar pelo infinito.
Do céu
- Em nosso tecto!
951
Advogado
949
Fale
Um
advogado não é um aldrabão.
É
quem gasta cada tostão
Há silêncios que
reboam
Do que é meu
Mais que as
trompas
A provar que tem razão.
Quando
ecoam.
...E
que me convenceu!
Não procures alibi,
Não interrompas:
- Para que teu trabalho
fale
952
Por
ti,
Prova
Importa que o mais te cale!
Aquilo que o tempo aprova
É o bem que proporciona
950
A iniciativa que inova.
Inteiro
Mas
ao tapete de lona
O
lutador cai por vezes
Não me demove o
gemido
Sem ver a causa aos reveses:
Nem o aceno do
dinheiro:
- O que não foi posto à prova
- Não, não tenho
partido,
Não funciona.
Sou inteiro!
E, se num partido
entro,
953
O meu
lugar
Gere
Lá dentro
É o de o
despartidarizar.
Por muito que a cárie gere cárie
Quando os dentes dou aos ócios,
O meu
modo
A barbárie não vem da barbárie,
É doutra identidade:
A barbárie vem dos negócios.
Só o
todo
Os brutos saltam-me à janela:
É que é
verdade.
-
Não podem negociar sem ela!
Não é falta de maneiras,
Não:
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954
959
Problema
Como
O problema de nosso
lugar
Tem lá confiança em ti,
Não é o de ter ou não
porvir,
Que os demais também terão.
É que, se o podemos
criar,
Não digas não:
Também o podemos
destruir.
Mostra, mostra agora e aqui!
Trata como gostarias
Que te tratassem a ti.
955
E oferta todos os dias
Lugar
Um
pouco mais do que aquilo
Que
os outros de nós esperam.
No
lugar
Poderás viver tranquilo:
Do sonho
apetecido
- Teus desaires já esqueceram!
Já lá moro antes de chegar
E ainda fico após ter partido.
960
Correr
956
Arremede
Em
Africa, de manhãzinha,
Uma
gazela acorda.
Não, aí não
entro,
Terá
de correr mais que o leão mais veloz
Vou-me
embora!
Senão morrerá.
Arte sem nada
dentro
Em África, da manhãzinha,
E menos ainda cá
fora
Um leão acorda.
Não germina em meus
hortos.
Terá de correr mais que a gazela mais veloz
Por muito que,
comprometida,
Senão de fome morrerá.
Arremede a vida,
Àquela talham-na os
mortos.
Gazela ou leão, que te importa?
Sofra embora
desconfortos,
- Quando o sol nascer,
Eu serei bandeira
erguida!
Abre a porta
E desata a correr!
957
961
Porta
Antes
O que nos salvará dos
escombros
Não te encostes à parede,
É uma estreita
porta:
Não te tornes um destroço:
Mais que ter a cabeça sobre os
ombros,
Antes de que tenhas sede,
É o que ela terá dentro que
importa.
Cava o poço!
958
962
Pensar
Nem
Há pessoas que jamais
pensaram.
Duma cabra pela frente,
Pior, porém, são os que
pensam
Nem dum cavalo por trás,
Que sabem
pensar.
Dum louco por qualquer lado,
É que os homens então
param
Aproximar-se não tente,
Antes que as ideias os
vençam.
Que o que faz
E logo se enganam de
lugar.
É, no fim, ser destroçado.
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963
Que o faz
Tivermos
Sofrer?
-
E assim é que apraz
Nem
Viver!
Estafermos,
Nem
Infernos,
967
Nem
Rastejar
Ermos,
Nem
Invernos
O que aterra
Nos
impedirão
É
que os homens não queiram voar.
De
sermos.
Preferem rastejar
Não!
Na poeira da terra.
Seremos alguém:
- Enquanto uns aos outros nos
tivermos,
Que ao menos deixem
Estaremos
bem!
Voar
os demais
Que têm asas para o fazer.
Que se desleixem,
964
Não incitem crianças, animais
Vim
Contra
quem quiser
Trepar
cá dos baixos
Olha para
mim.
E ascender!
Queiras ou não
queiras,
-
Ah! Como os répteis são aos cachos!
Só porque vim
Mudaram tuas jeiras.
968
Jamais serás
Escritor
Aquele que eras
Antes de meu toque
fugaz
O escritor,
Em tuas quimeras. Se
não faz descobertas
Sensacionais,
Vais ser
Ferido no pundonor,
Doravante
Inventa-as, desperta-as...
Outro eu a
acontecer
- Não é preciso mais:
De mim por ti
adiante.
Então é que tem valor!
965
969
Potência
Partir
Uma frase de
paixão
Vai meu filho para o mundo
Às vezes tem mais
potência
De que não conhece nada.
Do que um tiro de
canhão,
Qualquer risco é tão profundo
E joga com
frequência
Ante
a insegura passada!
Os
amantes
E esta voz a me trair
Tão
distantes
No peito rouco...
Que nem eles por si
dão!
- Vê-lo partir
É
morrer um pouco!
966
Esquecer
970
Vontade
O amor é a paz
Que a guerra
traz:
A força de vontade
De
esquecer
Não
a confundo
Quem é
capaz
Com espírito de sacrifício:
A
mulher
Força é a positividade
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Com que fundo o
início.
Depois vieram capturar
Os judeus:
Não achei de protestar,
971
Que não eram dos meus.
Querer
A
seguir vieram capturar
Querer é
poder.
Os sindicalistas:
Não é, porém, toda a
verdade:
Não
achei de protestar,
Além do que se
quer,
Que deles não corro nas pistas.
Há muros a vencer
E a
capacidade
Por fim vieram capturar
A que
apeles
Os crentes:
De lidar com eles.
Não
achei de protestar,
Que eu sou dos inocentes.
972
Agora chega a minha vez:
Mantém
-
E já não restará ninguém
Para
gritar, talvez,
Quando o porco
mato,
Pelo refém!
É o preço de manter-me vivo,
Não é vício:
A vida mantém a vida em
recato,
976
Sem
correctivo
Velocidade
Nem desperdício.
A velocidade
É a nossa libertação:
973
A sensação
Vingança
De
me distanciar de mim,
Largando
para trás a velha identidade,
Doce é a
vingança
Purificando-me enfim.
Se, em vez de matar um
inimigo,
Como
se, no fim,
Alcança &nb