DÉCIMO PRIMEIRO VERSO
MEDE PRECISA
ESTA BANAL PACIÊNCIA
Escolha aleatoriamente um número
entre 1064 e 1177 inclusive.
Descubra o poema correspondente
como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.
1064
O problema é
que estafa...
Mede
precisa
-
E, depois, como ele abafa!
Mede precisa
Esta banal
paciência
1068
Que
visa
Acontecer
Descortinar por trás da indolência
O
sentido
Para
onde quer que vá
Da
espera
Jamais eu me irei perder
- Eis o que
convido
Nem tu, que jamais repoisas:
A
intransigência
Estamos cá
A descobrir no que
era.
Para acontecerem coisas,
Senão, em vez do
futuro
- Estamos sempre a acontecer!
Ergue um muro.
1069
1065
Pureza
Impossível
Conflito
de gerações,
Não se empenhe em
atingir
Luta de classes,
O
impossível.
Guerra...
Procure apenas
subir
Não
são vítimas aos milhões,
O degrau
visível.
A tragédia dos impasses,
Então se
espante:
O que mais aterra.
- O impossível está diante!
É que uma ave engaiolada,
Se
conquista a liberdade,
1066
É recebida à bicada
Brinquedo
Pelas
mais, quando da entrada
Nesta
nova identidade:
Perde o medo,
Não a leves tão a
sério,
Como é que parece um mal
Que a vida, em qualquer
lugar,
A pureza original?
É um brinquedo
De montar
Cujo
mistério
1070
É convir por vezes sacrificar a
rainha
Luz
Quando ninguém pensava que convinha.
Que bom caminhar
Sobre luz!
1067
O que seduz
Lata
Num
lugar
É
que nos dê alta
Na grande
cidade
Da doença que mais demora:
A frialdade
-
De luz esta falta
É que nos
cadaveriza.
De dentro para fora.
No bairro de lata
O que
acata
1071
É a quente
brisa
Exemplares
Do calor
humano,
Se
os vivos são desnorteados,
Tão quente que é de
rachar,
Insiste, não pares:
Tão intenso que me
irmano
Como cadáveres adiados
Com o
lugar.
São exemplares!
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1072
O
fim do mundo
Humor
Até,
Quando
o aprofundo,
O
bom-humor
Às vezes o põe de pé.
Não convém
Que seja uma
mesquinhez.
A escuridão eterna
É um gesto de
amor
Desanima,
Que uns aos outros nos
atém,
Até que vejo nela a lucerna
Impedindo-nos, de
vez,
Que ilumina.
Do sorriso sob o império,
De encarar a vida demasiado a sério.
1077
Canibal
1073
Arcanos
Canibal
É
quem come o vizinho,
No
Natal,
Espiritual
No dia de anos,
É comê-lo em pão e vinho.
Na Páscoa, no
Carnaval
Real
Entremostram-se os arcanos.
E
não fantasia
É sugar a mente dos escravos
A comida tem sabor,
Tornados mercadoria
Mas sabe mais um
bocado:
Sem agravos.
Sabe ao que sabe e, melhor,
E
um auto de fé
Sabe ao seu
significado.
Assando a vida na fogueira
É antropofagia da vista até
Ao cheiro.
1074
Tudo
isto, primeiro,
Buraco
Começou
em casa à lareira:
Quanto mais civilizados,
Convém
Mais os canibais andam mascarados.
Ver bem
A que me ataco
Para escapar dum
lugar:
1078
Se caí num
buraco,
Galanteio
É melhor parar de escavar!
De galanteio
Nem
falo:
1075
É tenteio
Perdido
De
galo.
Eriça
Nada está perdido:
As
penas,
Apenas ocupa um
lugar
Enliça
Esquecido
As melenas.
Que não devia mais
ocupar.
O que falo
Enriça
Nas pequenas!
1076
Eu calo, eu calo...
Sempre
Uma
ferida
1079
Permanente
Pena
Raramente
O é na
vida.
Que pena,
Do génio quando morre a estrela!
Como a vida é pequena
Para
ele viver nela!
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1080
1085
Asas
Crê
Que importa
voar
Um homem de boa mente
Por cima das
casas?
Crê
Como as ideias não trepam de
elevador,
Em tudo quanto vê
Um homem que sabe
pensar
E não vê quanto lhe mente.
Tem mais asas
Que qualquer animal voador.
1086
Façam
1081
Causa
Façam
lá revoluções
À vontade!
O
mal
Preguem
a felicidade
São apenas os
restos
Aos aleijões!
De quanto nos
custa:
Imponham-na aos invertidos,
Pois não há poder que
iguale
Da eternidade aos fanados,
O dos homens
honestos
Aos
maridos traídos,
Por uma causa
justa.
Às viúvas dos soldados,
Aos paralíticos,
Aos impotentes,
1082
Aos
políticos
Banana
Decentes!
Lavem os imundos nos recintos,
Era uma
vez
Dêem comer aos famintos!
Uma banana num
cacho
- Mas deixem à solta
Bem dentro dum
bananal...
Esta loucura criança
O meu
revés
Que germina sempre em volta
É que, comendo-a, não
acho
Destes
a quem alcança:
Do mais nem vago
sinal.
Dos poetas, dos pintores,
- Que é do
suor
Dos romancistas, dos escritores
Da
vida?
Dos que são tão diferentes!
Do
tratador
As
heresias corta rentes
Que é da
lida?
Se quiseres,
Mas deixa-mos, tristes e alegres,
Sem os tolheres,
1083
A marchar contra as correntes
Tudo
Do
progresso que integres!
- Quem jamais pode pautar
Terei
tudo,
A
vida
Talvez...
Como em arte ter lugar
Já que,
sobretudo,
Quando perdida?
Ter tudo
Não é ter tudo duma vez.
1087
1084
Além
Problemas
Além, muito além,
"Nada é
eterno"
O melhor de mim,
- É o melhor de nossos
lemas:
Onde não chega ninguém.
Livra-nos do
inferno
A inércia me leva ao fim
Dos
problemas!
Por sendas que não são minhas,
Onde me revelo alheio
Doutrem
nos traços e linhas
Que sou eu rasgado ao meio.
Nisto sou mas sem segredos,
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É de mim que assim me
corto:
1092
Revelado em meus
degredos
Erro
Sou eu, sou, mas estou morto!
Ao erro, vence-o
O laboratório, as retortas
1088
Rasgam-lhe
no muro novas portas,
Liga
Enquanto
mastigam em silêncio
As palavras mortas.
Tão ligados, tão
iguais!
As palavras de esconjuro
- É sinal
Nunca
derrubaram o muro.
Que a aflição os liga mais
Que qualquer amor carnal.
1093
Guerra
1089
Paz
O
pior da guerra
Não é estar em todo o lado.