SÉTIMO  TROVÁRIO

 

 

TAL  DO  COTIO  O  QUE  FOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escolha um número aleatório entre 671 e 850 inclusive.

 

Descubra o poema correspondente como uma mensagem particular para o seu dia de hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

671 – Tal do cotio o que for

 

Tal do cotio o que for

Em cantos mil celebrado,

Em quadras meras vou pôr

Aqui quanto tem valor,

Que ao acaso for topado.

 

Retratar o dia a dia

No modelo mais comum

Da popular quadra guia

Quem ouvido quer algum.

 

São lemas de cada hora,

De roteiros o resumo

Em que a vida se demora,

 

No termo breve eis o sumo

Que vida fora consumo.

 

 

672 – Metade

 

Se metade eu fora

Do que julgo ser,

Era o dobro agora

Do que era quenquer.

 

 

673 – Consistente

 

Ser consistente nos actos

Ao educar, isto ensina:

Faz a criança, ante os factos,

Ganhar auto-disciplina.

 

 

674 – Lembra-te

 

Lembra-te de que o respeito

É rua com dois sentidos:

Recebemos, neste pleito,

O que damos, comedidos.

 

 

675 – Menos

 

Aquele que for capaz

De resolver o problema

Sempre é menos eficaz

Que o que o evita por lema.

 

 

676 – Mostram

 

Serão as nossas escolhas,

Mais que as nossas aptidões,

Que mostram, entre as recolhas,

O que somos, sem senões.

 

 

677 – Requerido

 

Para ter conhecimento

É requerido estudar;

Se a sabedoria tento,

Então terei de observar.

 

 

678 – Silêncio

 

O silêncio é de oiro quando,

Apesar de toda a aposta,

Não nos ocorre, pensando,

Nenhuma boa resposta.

 

 

679 – Verdade

 

A verdade nunca vem

Bater à porta do tolo,

A verdade sempre tem

De cair em fértil solo.

 

 

680 – Poder

 

O poder do jornalista

Não é de pôr a pergunta

Mas o de a resposta em vista

Exigir que nela assunta.

 

 

681 – Poesia

 

É na admiração completa

Que as dúvidas se consomem:

Prova a poesia, repleta,

Toda a existência do Homem.

 

682 – Livre

 

O que fatal se impuser

Acolhe sereno, admite-o.

Livre é o mar de se mover,

Mas não de mudar de sítio.

 

 

683 – Cidadania

 

No canto a que pertencermos

A cidadania é o que há-de

Dar-nos a oportunidade

De a diferença fazermos.

 

 

684 – Tentando

 

Mais vale o mundo enfrentar

Em nome da consciência

Que esta enfrentar em carência

Tentando ao mundo agradar.

 

 

685 – Sabe

 

Nada é mais frustrante

Do que argumentar

Com quem sabe, instante,

Do que está a falar.

 

 

686 – Ocasião

 

Sempre que estiver no escuro,

Oportunidades reais

De excelência configuro

Para que a luz brilhe mais.

 

 

687 – Enérgica

 

Uma enérgica vontade

É garantia, de entrada,

Da esperança que me invade

Já meio realizada.

 

 

688 – Sorte

 

Uma sorte de momento

Vai ao fantástico alçar-nos.

De anos o desbastamento

Em úteis vai transformar-nos.

 

 

689 – Tempo

 

Sempre o tempo é como o vento,

Tudo o que é leve ele faz

Varrer da frente a contento,

Deixa o consistente atrás.

 

 

690 – Privado

 

Ser menos privado às vezes

É ter mais privacidade:

É sermos nós nos reveses

Com toda a autenticidade.

 

 

691 – Conquista

 

Do grande homem um favor,

Se não conquista um amigo,

Pode estar certo e supor

Que arranja muito inimigo.

 

 

692 – Lábio

 

Com vícios mui refinados

Decerto o lábio se apraz,

Mas tais cafés bem tirados

Deixam sempre borra atrás.

 

 

693 – Segundo

 

Quando alguém persiste, insiste

Contra qualquer argumento,

Muitas vezes não resiste

A um igual segundo intento.

 

 

694 – Multiplicas

 

Estás-me a fazer feliz

E a felicidade incides

No mistério que me diz:

- Multiplicas se divides!

 

 

695 – Descobre

 

Descobre o que te demora

Tanto e que te põe de pé:

A verdade apenas mora

No lugar onde houver fé.

 

 

696 – Entusiasma

 

Quando com alguém converso

E me entusiasma o assunto,

Falo até do que nem verso:

- Alguém fala em mim por junto!

 

 

697 – Esconde

 

Dele na sabedoria,

Deus ao Inferno, conciso,

Esconde, para vigia,

No meio do Paraíso.

 

 

698 – Escravos

 

Doutrem não busques abonos.

Somos, arroteando as lavras,

De nosso silêncio donos

Como escravos das palavras.

 

 

699 – Perigosa

 

Quando a verdade delira,

Se mentes, olha os extremos:

É perigosa a mentira

Que a nós próprios nos dizemos.

 

 

700 – Integridade

 

Integridade é fazer

Aquilo que estiver certo

Mesmo sem ninguém a ver

Nem de longe nem de perto.

 

 

701 – Política

 

A política melhor

É a melhor sinceridade

Mas ficar calado um ror

Às vezes mais persuade.

 

 

702 – Etiqueta

 

Em etiqueta quenquer

Não ter teme o que convém.

A sério classe é fazer

Os outros sentir que a têm.

 

 

703 – Igual

 

Àquele que honre e respeite

Os outros alguém convoca.

- Mas vai dar-lhe igual aceite,

Paga-lhe este o mesmo em troca?

 

 

704 – Ligar

 

Ser nesta vida feliz

É com o porvir demais

Não me ocupar e ao que fiz

Outrora não ligar mais.

 

 

705 – Vulcão

 

Do vulcão do mundo

Não temas as fissuras,

Quem não bate no fundo

Não trepa às alturas.

 

 

706 – Finjo

 

Eu finjo que me conheço

E, depois de fingir tanto,

Conheço que não conheço,

Do que conheço me espanto.

 

 

707 – Sombra

 

Nós da sombra precisamos,

Da treva que, em contraluz,

Mostre a espessura dos ramos,

Dê relevo à nossa luz.

 

 

708 – Essencial

 

Das coisas a natureza

Essencial que poucos gabam:

Têm começo, de certeza,

E, por isso, um dia acabam.

 

 

709 – Sensações

 

Caim e Abel todos conhecem,

De Seth ninguém irá falar:

Só sensações, pois, apetecem

Ao homem desde o madrugar.

 

 

710 – Furto

 

Se o pensamento condensa,

A furto, nossa matriz,

Não diga tudo o que pensa

Mas pense tudo o que diz.

 

 

711 – Meia

 

Se for meia liberdade

Quanto propugnar, em suma,

Acabo, em qualquer idade,

Sem liberdade nenhuma.

 

 

712 – Apure

 

Apure bem o que diz,

O que oferta na embalagem.

Oiça o cliente infeliz,

É a fonte da aprendizagem.

 

 

713 – Destrói

 

Mais atrás, mais adiante

De novo a questão se assunta,

A resposta interessante

É a que destrói a pergunta.

 

 

714 – Fama

 

A fama tem quatro letras,

Par de fita, cara ou vida.

De quanto nelas soletras

Dentro importa é o que em ti lida.

 

 

715 – Tu

 

És tu teu melhor amigo,

Teu mais próximo aliado,

Comparsa teu, leal abrigo,

E o consultor mais chegado.

 

 

716 – Tradições

 

As tradições são balizas

Instaladas dentro e fundo.

Mais poderosas as gizas

Se as nem suspeitas no mundo.

 

 

717 – Criança

 

A criança uma energia

Tem muito mais poderosa

Após brincar todo o dia

Que após o sono que goza.

 

 

718 – Portas

 

Na vida, quanto fizer

São portas que fecho ou abro,

Tudo só para conter

Tudo o que for descalabro.

 

 

719 – Escola

 

Todos nós matriculados

Na escola andamos da vida

Onde o tempo, em anos dados

De aula, é o mestre que em nós lida.

 

 

720 – Treina

 

Carácter é o que requeres

Da vida para os intentos.

Contrata então caracteres

Mas treina depois talentos.

 

 

721 – Génio

 

Um génio sempre contém

As próprias limitações.

Quanto à estupidez, porém,

Não sofre de tais senões.

 

 

722 – Acorrentada

 

Qualquer preocupação

Mora bem longe, afinal,

Acorrentada à emoção,

Da lógica racional.

 

 

723 – Garrafa

 

Garrafa meio vazia

Também fica meio cheia.

Mentira nunca seria,

Contudo, verdade meia.

 

 

724 – Recifes

 

A pobreza e a riqueza

São dois recifes no estreito.

Feliz de quem remar preza

Entre ambas no fundo leito!

 

 

725 – Algo

 

O que algo torna especial

Não é o que houver a ganhar

Mas também e por igual

O que a perder se arriscar.

 

 

726 – Atentar

 

A vida como depressa

Corre se não dou por ela

E quão devagar tropeça

Se lhe atentar na sequela!

 

 

727 – Esquecerem

 

Importa a funda memória

No bem e mal que perfila:

Aos que esquecerem a história

O fado é de repeti-la.

 

 

728 – Liberdade

 

Nunca saberá, nos cantos

Dos resignados assente,

Da liberdade os encantos

O escravo, mesmo contente.

 

 

729 – Precede

 

O instante delicioso

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